REPORTAGEM HIPERMÍDIA · SAÚDE PÚBLICA · BRASIL 2026

Uma doença que o Brasil esqueceu, mas que não desapareceu do mundo

Há décadas sem registrar casos do poliovírus selvagem, o Brasil enfrenta um novo desafio: manter a população protegida para impedir que a doença volte.

Criança recebendo a gotinha da vacina contra a poliomielite de uma servidora da Semsa, ao lado do Zé Gotinha

Criança recebendo a gotinha da vacinação contra a poliomielite de servidora da Semsa e Zé Gotinha. Foto: Reprodução/Prefeitura de Manaus.

Sobre esta reportagem

Esta reportagem busca mostrar por que a vacinação contra a poliomielite continua sendo necessária mesmo décadas após a eliminação da doença no Brasil. A partir de dados, entrevistas com especialistas e relatos de pessoas que convivem com as sequelas da poliomielite, o trabalho apresenta os riscos relacionados à queda da cobertura vacinal, à desinformação e à possibilidade de reintrodução do vírus, além de revelar os impactos que a doença ainda provoca nos pacientes.

Em um olhar

Três pontos para entender os desafios da polio

01

O que é a poliomielite?

Uma doença viral altamente contagiosa que pode atingir o sistema nervoso e provocar paralisia irreversível. Afeta principalmente crianças menores de cinco anos e não possui tratamento capaz de reverter a infecção. A principal forma de prevenção é a vacinação.

02

A queda da vacinação

A cobertura vacinal contra a poliomielite, que chegou a 98% em 2015, caiu para 67% em 2021, o menor índice registrado em décadas. A redução deixou milhares de crianças desprotegidas contra uma doença que ainda circula no mundo.

03

O risco hoje

O poliovírus selvagem ainda circula em países como Afeganistão e Paquistão. Com a cobertura vacinal abaixo do recomendado e a circulação de desinformação sobre vacinas, aumenta o risco de o vírus ser reintroduzido no Brasil.

Linha do tempo

Um século de luta contra a pólio

  1. 1908

    Descoberta do vírus

    Cientistas identificam o poliovírus como causador da paralisia infantil.

  2. 1955

    Vacina Salk (injetável)

    Jonas Salk desenvolve a primeira vacina contra a pólio, com vírus inativado.

  3. 1961

    Vacina Sabin (oral)

    Albert Sabin cria a vacina oral — a famosa 'gotinha' — com vírus atenuado.

  4. 1980

    Dia Nacional de Vacinação

    Brasil lança as campanhas em massa. Milhões de crianças vacinadas em um único dia.

  5. 1986

    Zé Gotinha

    Mascote criado pelo Ministério da Saúde se torna ícone da vacinação no país.

  6. 1989

    Último caso no Brasil

    Registrado o último caso de pólio causado pelo vírus selvagem em território brasileiro.

  7. 1994

    Américas livres da pólio

    OPAS certifica o continente americano como livre da circulação do vírus selvagem.

  8. 2015

    Início da queda

    Brasil tem 98% de cobertura. Mas a partir daqui, os números começam a cair.

  9. 2021

    Risco real

    Cobertura cai para 67%, o pior índice em décadas.

  10. 2026

    Brasil reforça a proteção

    O calendário nacional de vacinação passa a contar com cinco doses da vacina inativada (VIP).

Histórias reais

Mas eu nunca conheci alguém com polio...

E talvez seja justamente por isso que a doença pareça tão distante. Erradicada no Brasil desde 1989, a poliomielite deixou de fazer parte do cotidiano de muitas gerações. Com isso, também se tornaram menos conhecidas as histórias de quem foi infectado, os sintomas, as sequelas e as marcas que podem permanecer por toda a vida.

Retrato colorido de Franklin D. Roosevelt

Presidente dos Estados Unidos

Franklin D. Roosevelt

Diagnosticado aos trinta e nove anos, Roosevelt viveu com paralisia nas pernas e ajudou a fundar a March of Dimes, que impulsionou a pesquisa pela vacina.

Foto: Leon Perskie / FDR Presidential Library

Retrato em preto e branco de Frida Kahlo

Pintora mexicana

Frida Kahlo

Contraiu polio aos seis anos, o que deixou sequelas na perna direita. A experiência com a doença e o corpo marcaram suas obras.

Foto: Guillermo Kahlo

Retrato em preto e branco de Joni Mitchell

Cantora e compositora canadense

Joni Mitchell

Teve polio aos nove anos, durante um surto no Canadá. A doença deixou sequelas que a acompanharam ao longo da vida.

Foto: Asylum Records

Neil Young cantando em um microfone

Cantor e compositor canadense

Neil Young

Infectado na infância, Young desenvolveu sequelas que afetaram sua coluna e, segundo ele, influenciaram sua música.

Foto: Mark Estabrook

“O próprio sucesso da vacinação diminui a incidência das doenças e leva as pessoas a acharem que não tem mais importância vacinar, quando não é bem assim: vivemos num mundo global.”

Dra. Ana Sartori, professora do Departamento de Infectologia e Medicina Tropical da USP — em entrevista à reportagem

Reportagem hipermídia

A leitura reúne vídeos com entrevistados, áudios de especialistas e infográficos de cobertura vacinal ao longo do texto.

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